da continuação dos meus monólogos

Era um dia infernalmente quente. Andava pela rua apressada pois só assim não chegaria atrasada na biblioteca. Tínhamos um trabalho em equipe pra fazer e os outros já deveria estar lá. Não havia tempo a perder, mas como Murphy rege minha vida, o sinal resolveu fechar pra pedestres justo na hora que eu queria atravessar. Olho pro relógio e percebo algo no chão se movimentando. Minha sombra! Começo a fazer gestos, que nem crianças quando descobrem o efeito que o sol causa, mas pro meu espanto, percebo que minha sombra não me acompanha. Mexo meu braço direito enquanto que vejo a imagem escura balançando a cabeça. Penso ser uma insolação, então me sento no meio-fio. Incrivelmente minha sombra se senta ao meu lado. Outra lição de moral? (vide poste de 01 de agosto do meu outro blog). Não não sem lições de moral ela me disse. Por onde ela falou não reparei, nem muito menos como ela adivinhou meus pensamentos. Sou sua sombra, é natural que saiba seus pensamentos. Mas que coisa confusa eu disse, ou pensei, o que nessa altura dava na mesma. Você veio pedir aumento ou melhores condições de trabalho? Ri, imaginando como seria um aumento do salário de uma sombra: mais 2h de sol por semana. Ou 2h de sombra? Vai saber, nunca fui sombra.
Então, ela continuou. Tudo o que eu queria era ser gente uma vez só. Poder olhar o mundo de cima e tentar entender como é. Você toparia inverter os papéis só por uma tarde? Topei com a condição de passarmos então na biblioteca e avisarmos os meus colegas que hoje não poderia me preocupar com hipérboles. Hoje estaria realizando o desejo duma sombra.
No começo não foi fácil. Eu tive que me deitar no chão e tentar acompanhar os passos de um ser feito duma cor só, sem rosto ou roupas ou qualquer coisa. Lá de baixo pude ouvir os gritos das pessoas na rua quando se deparavam com a pitoresca cena, mas nunca imaginei que meus amigos fossem desmaiar só por causa disso.
Fomos então passear em jardins e gramados pois ela queria ter a sensação de se perder olhando pro infinito. No caminho encontramos mais gente com o pensamento limitado, mas pude descobrir então o fabuloso mundo das sombras. Virei amiga de uma em especial, gordinha e pequenininha que me contou um pouco da sua vida. À noite, todas se juntavam em um grande galpão onde contavam sobre seu dia e podiam descansar um pouco. Apenas nas noites de lua cheia deviam trabalhar. Durante o dia, acompanhar sempre o amo, senhor, ou como quisesse chamar. Fiquei com muita pena das minhas companheiras, pois sempre me ensinaram na escola que a sombra nada mais era do que uma imagem. Comentei isso com ela e então ela falou que era mais ou menos isso. Interessada, queria saber mais, mas ela não quis me contar. Decidi então esperar até o anoitecer para poder me juntar com as outras e descobrir como era o seu mundo. Minha sombra, que nessa altura era eu, não se opôs, pelo contrário, ficou muito feliz por poder desfrutar mais um pouco da sua vista perpendicular.
A noite caiu e fiquei com medo por não saber como chegar, mas novamente achei sombras boas, dispostas a me ajudar. Como estava escuro, não precisávamos seguir pelo chão, podíamos ir flutuando. É o que os humanos chamam de brisa noturna. Nada mais do que sombras livres no espaço. Pensei que encontraria um local colorido e aconchegante, mas ao contrário, o galpão era obscuro e tenebroso. “Pra podermos passar mais tinta escura, caso estejamos clarinhas demais” alguma delas me disse. Naquela escuridão toda não conseguia identificar nada.
“Quem é você?” uma voz grave e de tom severo me perguntou. Eu sou a Buca, oras. Que audácia, o cara nem me conhecia. “Buca, não há nenhuma sombra com esse nome”. É que eu não sou uma sombra, respondi. “Então o que faz aqui?”. Expliquei-lhe toda a história e ele falou que isso ia contra o regulamento das sombras, mas que eu não tinha como saber e que não era, portanto a culpada. Mandou chamar minha sombra, e enquanto isso ficamos conversando. Eu perguntei, afinal, quem eram eles. E então ele me explicou: “Quando uma pessoa é extremamente ambiciosa, só deseja pra si o topo, o lugar mais alto seja onde for. Todos nós éramos assim, e como castigo fomos mandados para o chão, para a posição mais baixa. Devemos ficar ali até aprendermos nossa lição.”
Queria continuar fazendo mais perguntas pra entender esse estranho mecanismo, mas nessa hora minha sombra chegou, e então fui mandada de volta pra casa. Sem sombra porque era lua nova.
Então, ela continuou. Tudo o que eu queria era ser gente uma vez só. Poder olhar o mundo de cima e tentar entender como é. Você toparia inverter os papéis só por uma tarde? Topei com a condição de passarmos então na biblioteca e avisarmos os meus colegas que hoje não poderia me preocupar com hipérboles. Hoje estaria realizando o desejo duma sombra.
No começo não foi fácil. Eu tive que me deitar no chão e tentar acompanhar os passos de um ser feito duma cor só, sem rosto ou roupas ou qualquer coisa. Lá de baixo pude ouvir os gritos das pessoas na rua quando se deparavam com a pitoresca cena, mas nunca imaginei que meus amigos fossem desmaiar só por causa disso.
Fomos então passear em jardins e gramados pois ela queria ter a sensação de se perder olhando pro infinito. No caminho encontramos mais gente com o pensamento limitado, mas pude descobrir então o fabuloso mundo das sombras. Virei amiga de uma em especial, gordinha e pequenininha que me contou um pouco da sua vida. À noite, todas se juntavam em um grande galpão onde contavam sobre seu dia e podiam descansar um pouco. Apenas nas noites de lua cheia deviam trabalhar. Durante o dia, acompanhar sempre o amo, senhor, ou como quisesse chamar. Fiquei com muita pena das minhas companheiras, pois sempre me ensinaram na escola que a sombra nada mais era do que uma imagem. Comentei isso com ela e então ela falou que era mais ou menos isso. Interessada, queria saber mais, mas ela não quis me contar. Decidi então esperar até o anoitecer para poder me juntar com as outras e descobrir como era o seu mundo. Minha sombra, que nessa altura era eu, não se opôs, pelo contrário, ficou muito feliz por poder desfrutar mais um pouco da sua vista perpendicular.
A noite caiu e fiquei com medo por não saber como chegar, mas novamente achei sombras boas, dispostas a me ajudar. Como estava escuro, não precisávamos seguir pelo chão, podíamos ir flutuando. É o que os humanos chamam de brisa noturna. Nada mais do que sombras livres no espaço. Pensei que encontraria um local colorido e aconchegante, mas ao contrário, o galpão era obscuro e tenebroso. “Pra podermos passar mais tinta escura, caso estejamos clarinhas demais” alguma delas me disse. Naquela escuridão toda não conseguia identificar nada.
“Quem é você?” uma voz grave e de tom severo me perguntou. Eu sou a Buca, oras. Que audácia, o cara nem me conhecia. “Buca, não há nenhuma sombra com esse nome”. É que eu não sou uma sombra, respondi. “Então o que faz aqui?”. Expliquei-lhe toda a história e ele falou que isso ia contra o regulamento das sombras, mas que eu não tinha como saber e que não era, portanto a culpada. Mandou chamar minha sombra, e enquanto isso ficamos conversando. Eu perguntei, afinal, quem eram eles. E então ele me explicou: “Quando uma pessoa é extremamente ambiciosa, só deseja pra si o topo, o lugar mais alto seja onde for. Todos nós éramos assim, e como castigo fomos mandados para o chão, para a posição mais baixa. Devemos ficar ali até aprendermos nossa lição.”
Queria continuar fazendo mais perguntas pra entender esse estranho mecanismo, mas nessa hora minha sombra chegou, e então fui mandada de volta pra casa. Sem sombra porque era lua nova.


5 Comments:
Pois...
já disse q ficou perfeitinho nééé
um dia preciso de uma conversa com minha sombra tbem... quem sabe ela me dê conselhos sábios. Ou não..
;******
uma bela fábula. querendo dar uma lição de moral nas criancinhas, eh? sabia q eu pensei q a voz grossa fosse do marildo? q terror
Qual é o nome desta fábula??
:O
buca eu amei isso heuheuhuehe
meu deus isso ficou perfeito...muito massa mesmo....tu é uma gênia ehuheuheuhe
lindo, lindo e lindo...melhor que caisse isso no vestibular do que cair aqueles livros tolos heuheuhuehe
;******
massa.
já arranjou companhia pro eu-lírico né, já que vc tbm não dava mais atenção pra ele [vide post no outro blog] x)
será que os botões também se reunem em galpões sinistros? pra discutir a vida de botão. x)
só que não entendi uma bagaça, como abobrinha que sou: pq ser ambicioso leva à posição mais baixa, no caso, sombra? achei isso fosse bom.
,*
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