miercuri, noiembrie 01, 2006

Da arte de separar pepinos das cebolas


A voz na frente da sala de aula parecia distorcida por causa das mãos que tapavam seus ouvidos. Será que se voltasse as falas do seu professor de física encontraria mensagens do demo ou respostas para suas perguntas?
A sua volta ninguém parecia se importar. Canetas desenhavam caracteres em páginas que serão amareladas pelo tempo, de pessoas que vão morrer com o tempo. Memórias são eternas. Os momentos não.
Gostava de observar os outros, numa estúpida esperança de que alguém lhe observava também. Olhava as meias dos colegas procurando alguma relação entre elas. Parecia uma autista vendo os pés dos outros. Viu uma formiga se aproximar na carteira ao lado. Desejou ter poderes paranormais para entortar colheres e derrubar formigas apenas com o pensamento.
E desejou ter outros poderes. Quis ficar transparente para dar um chute no professor. E quis ser uma mosquinha para saber o que as pessoas falavam dela quando ela saía da roda.
E continuou imaginando como seria fazer as coisas que têm vontade. Carregando sua folhinha, a formiga nem imaginava o que passava na cabeça da garota que tinha um olhar fixo em um ponto qualquer do quadro negro mas com os pensamentos longínquos.
A garota olhou pela janela e viu um lindo céu azul lá fora. Desejou poder voar naquela pureza atraente. Olhou para o professor, depois para as pessoas massificadas ao seu redor e se dirigiu até a janela. Sentiu o aroma da primavera, escalou a parede, ficou de pé na soleira e então mergulhou no infinito.

4 Comments:

Anonymous Anonim said...

legal...
mas eu acho q ela não morre no final. droga, odeio coisas surrealistas pela metade.

6:59 p.m.  
Blogger Um maniáco por informática said...

Ainda me lembro como aquela prisão me fazia viajar sobre um mundo não real, aqueles tijolos que insistiam em ser contados na parede, ficar olhando as caras dos professores e tentar enteder o que estava eu ali fazendo ou o professor tentando ali explicar, me perturbava a mente as espectativas de um novo mundo que estava a me esperar e eu ali esperando o tempo passar sentado naquela cadeira contando os dias e tendo o desejo de que os sinos pela manhã tocassem, que para logo chegasse a tarde e eu voltasse a esperar os sinos tocarem. Mas nem de todo mal foi aquela prisão pois muitos amigos fiz lá, e poucos amigos perdi lá, e muito me diverti e como ..., depois acabei descobrindo que a vida não difere muito do que se passa lá, apenas mudam os cenários e as pessoas. Pena nestes ultimos tempos (anos) ter me esquecido de quem eu era quando entrei lá, mas quem sabe consiga um dia voltar, a imaginar como a vida pode ser bela e muito bela, divertida, simples átraves de uma janela, como quando entrei lá.

10:33 p.m.  
Blogger André Dias said...

adoro seus finais...
será que ninguem se importou em parar a menina? tavam tão absortos em nada que não perceberam..
cê já assistiu aquele filme, "as horas", que eu te indiquei há um tempo? é de uma escritora, uma tal de virginia woolf. nunca li um livro dela, mas pelo filme dá pra ver que ela gosta de matar os personagens tbm... parece que todo mundo se mata na história...
excelente.

9:49 a.m.  
Blogger André Dias said...

esqueci de perguntar: pq o titulo? alguma mensagem demo? x) ou um significado interno mesmo?

,***

9:51 a.m.  

Trimiteți un comentariu

<< Home