marți, noiembrie 07, 2006

Enquanto esperava a água ferver, ligou o aparelho de som. O radialista anunciou “21 graus em Porto Alegre, tempo bom, céu ensolarado.” Olhou pra fora e viu um tempo frio e nublado. Era estranho imaginar que em outro lugar o tempo estava diferente. Desde pequena sempre tivera a impressão de que se chovia lá fora chovia em todos os lugares.
Desligou o som, preparou um café, escovou os dentes e saiu. Pelo caminho viu crianças em um parquinho brincando e rindo e novamente não entendeu como podia ter gente feliz se ela se sentia tão triste.
Chegou ao trabalho onde as mesmas caras desanimadas a esperavam. Guardou sua bolsa na gaveta, ligou o computador, digitou a senha – o nome do seu ex-marido – e ficou pensativa. Já fazia quase 1 mês que ela a deixara, na verdade a trocara por uma loira de 20 anos, e ela não conseguia ter raiva dele. O único sentimento que conseguia ter era pena – por si mesma.
O telefone tocou. Era um colega do seu chefe. Repassou a ligação e ficou imaginando o rosto do dono da voz a espera na linha. Sabia que morava em outra cidade e que era dono de um frigorífico, fora isso, não sabia mais nada. Oh céus, até a vida de um açougueiro parecia mais interessante que a sua.
Arquivou alguns recibos, digitou uns poucos pedidos e então o sinal tocou anunciando a hora do almoço. Suas companheiras convidaram-na para almoçar em um restaurante a duas quadras dali. Recusou gentilmente alegando problemas financeiros, afinal agora não tinha mais o marido para ajudar nas finanças da casa.
O escritório mergulhou em um silêncio profundo, rompido apenas pelo som das mordidas no sanduíche de atum. Jogou o papel alumínio no lixo, foi até o banheiro e jogou uma água fria no rosto pra ver se acordava... pra vida. Se olhou no espelho e só encontrou defeitos: um fio branco aqui, uma espinha ali, uma gordurinha sobrando lá do lado,... Voltou para sua mesa e novamente fez pedidos, arquivou recibos, repassou ligações.
Voltou para casa, sentou no sofá e ligou a TV. A mulher do tempo anunciou chuva para o outro dia para todo o país. Uma pontinha de esperança iluminou seu rosto: será que assim como o tempo harmonioso para todos, os sentimentos também se convergiriam? Será que todos entrariam na sua apatia ou ela finalmente conseguiria ser feliz como os outros?
O despertador anunciou um novo dia. A mulher abriu a cortina e viu que a previsão não falhara: um verdadeiro dilúvio estava acontecendo do lado de lá da janela.
Chegou ao trabalho alegre por pensar que todo mundo finalmente entenderia como ela se sentia. Esses pensamentos foram pelo ralo junto com a chuva: todos estavam iguais, agindo como se nada tivesse acontecido.
Sentou na sua mesa, guardou a bolsa na gaveta, digitou o nome do ex-marido e abraçou sua rotina: sua única amiga.

4 Comments:

Blogger Um maniáco por informática said...

Como sempre escrevendo divinamente hauahuhua aaa soh falta pagar pau e mandar flores numa quarta feira de chuva hauhauhau, nao posso me esquecer dos chocolates =] =] huahau.

Já saiu de Joinville com um tempo hórrivel de chuva e chegou em cima da serra estava um sol lindo que até em campo alegre teve que para para apreciar? (Comentário aleatório) E mais uma vez sobrevivi a uma viagem de moto huahauhua

=*** boa semana!!!!

( Eterno fan, tah, tah bom, pode ser fan chato hauhauhauhu )

7:20 p.m.  
Anonymous Anonim said...

primeira vez que te vejo escrevendo uma história mesmo. ou não lembro mesmo. x)

tem um erro sutil numa passagem: "Já fazia quase 1 mês que ela a deixara". não era pra ser que ele a deixara? o marido, quer dizer. ou entendi errado tbm, é sempre uma opção... x)

amiga rotina... apesar de a maioria tentar fugir dela, a safada sempre alcança a gente. eu adoro. x) colocar o açúcar depois do achocolatado é lei pra mim. hahah mas prefiro chamar de mania. mais bonito.

,*

11:16 a.m.  
Anonymous Anonim said...

esqueci de por nome... sou ali em cima, tá.. x)

11:16 a.m.  
Anonymous Anonim said...

puta merda guria, tu escreve muito bem, ta louco! aosopdashdoisuh
;*

6:40 p.m.  

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