Tão perto e tão longe...
“Os homens estão tão próximos e tão distantes” a professora havia escrito no quadro-negro. Na verdade ele nunca entendera porque negro se o quadro era verde. “Eu quero uma dissertação sobre este tema para a próxima aula”. Então o sinal tocou e pelos corredores era possível ouvir toda a arruaça típica de final de aula. Pacientemente o garoto guardava os lápis no estojo e o estojo na mochila. Era sua mãe quem sempre vinha lhe buscar e ela costumava se atrasar.
Foi andando lentamente até a saída onde outros alunos esperavam seus pais, mães, topics, ônibus ou simplesmente ficavam jogando conversa fora antes de voltarem pra casa. Sentou, abriu um livro, mas não conseguiu se concentrar, o barulho era muito alto. Resolveu então dar uma olhada no tema da dissertação para o outro dia, pois nem tinha prestado muita atenção. “Tão próximos e tão distantes”, um paradoxo interessante.
Olhando apenas para o seu caderno o garoto não pôde ver o menino que chorava porque sua mãe estava demorando ou a garota que havia brigado com o namorado no dia anterior e que tudo o que precisava era alguém pra conversar e se sentir menos só.
Uma buzina familiar lhe despertou. Pegou a mochila, passou pelo menininho que achava que a mãe lhe esquecera, pela garota com o coração despedaçado e por tantos outros “tão próximos e tão distantes”.
“Põe o cinto” “Como foi a aula?” “O que você acha de pizza pro almoço?” Respondendo com monossílabos, a cabeça do garoto ainda estava na frase da professora. Mas quem está distante?, pensava ele. Acho que as pessoas nunca estiveram tão próximas. Chegando em casa ligou a TV e assistiu passivamente notícias de pessoas que não conhecia. Se aborreceu com as notícias que eram sempre as mesmas (corrupção, violência, miséria) e foi pro seu quarto. Fechou a porta e ligou o som no talo. Porém logo sua mãe apareceu pra lhe chamar pra comer e – abaixar o volume.
Resmungando, comeu seu pedaço de pizza e foi pro computador. Encontrou um colega de sala on-line no MSN e perguntou se ele já havia conseguido fazer a redação. O garoto falou que não, estava com uns problemas em casa. Nem se deu ao trabalho de perguntar o que havia acontecido: desligou o pc e foi novamente pra sala.
E assim foi sua tarde: alternando entre TV, som e PC. E então, quando reparou já estava tarde. Foi dormir para no outro dia fazer tudo igual novamente.
O despertador tocou, levantou, vestiu o uniforme, tomou café e foi pra escola. Chegando lá lembrou que não havia feito a redação. Passou pelo menininho inseguro, pela garota que se sentia sozinha, pelo colega com problemas em casa e então entregou uma folha em branco à professora, tão próxima e tão distante.
Foi andando lentamente até a saída onde outros alunos esperavam seus pais, mães, topics, ônibus ou simplesmente ficavam jogando conversa fora antes de voltarem pra casa. Sentou, abriu um livro, mas não conseguiu se concentrar, o barulho era muito alto. Resolveu então dar uma olhada no tema da dissertação para o outro dia, pois nem tinha prestado muita atenção. “Tão próximos e tão distantes”, um paradoxo interessante.
Olhando apenas para o seu caderno o garoto não pôde ver o menino que chorava porque sua mãe estava demorando ou a garota que havia brigado com o namorado no dia anterior e que tudo o que precisava era alguém pra conversar e se sentir menos só.
Uma buzina familiar lhe despertou. Pegou a mochila, passou pelo menininho que achava que a mãe lhe esquecera, pela garota com o coração despedaçado e por tantos outros “tão próximos e tão distantes”.
“Põe o cinto” “Como foi a aula?” “O que você acha de pizza pro almoço?” Respondendo com monossílabos, a cabeça do garoto ainda estava na frase da professora. Mas quem está distante?, pensava ele. Acho que as pessoas nunca estiveram tão próximas. Chegando em casa ligou a TV e assistiu passivamente notícias de pessoas que não conhecia. Se aborreceu com as notícias que eram sempre as mesmas (corrupção, violência, miséria) e foi pro seu quarto. Fechou a porta e ligou o som no talo. Porém logo sua mãe apareceu pra lhe chamar pra comer e – abaixar o volume.
Resmungando, comeu seu pedaço de pizza e foi pro computador. Encontrou um colega de sala on-line no MSN e perguntou se ele já havia conseguido fazer a redação. O garoto falou que não, estava com uns problemas em casa. Nem se deu ao trabalho de perguntar o que havia acontecido: desligou o pc e foi novamente pra sala.
E assim foi sua tarde: alternando entre TV, som e PC. E então, quando reparou já estava tarde. Foi dormir para no outro dia fazer tudo igual novamente.
O despertador tocou, levantou, vestiu o uniforme, tomou café e foi pra escola. Chegando lá lembrou que não havia feito a redação. Passou pelo menininho inseguro, pela garota que se sentia sozinha, pelo colega com problemas em casa e então entregou uma folha em branco à professora, tão próxima e tão distante.


4 Comments:
Muito legal o seu texto como sempre.
Bom nem sei direito o que postar, continuo a ler ....
=O
Buca...
isso ficou perfeito, to me sentindo culpada agora, por ser tão próxima e tão distante de tanta coisa e tantas pessoas que gostaria de enxergar melhor
;****** escritora!!
uou!
eu sempre penso que quando não conheço nada da vida das pessoas por ai, elas devem ser tudo figurantes. x) é impossível que tanta gente tenha uma vida inteira que não seja do meu conhecimento... hahah
,*
legal
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