Quem disse que crescer não dói?

Embora fosse 3 da madrugada, fora estava mais claro do que dentro da garota. Tudo lhe parecia confuso e obscuro e nada parecia fazer sentido. Ela queria parar de chorar, mas as lágrimas insistiam em escorrer pelo seu rosto como se a tristeza tivesse vontade própria pra aparecer, mas nunca pra ir embora.
Era comum ver na televisão médicos explicando as dores musculares normais do crescimento. Mas por que ninguém falava da dor no músculo cardíaco? Por que ninguém dizia que era tão difícil deixar de ser criança?
Pensava em como as coisas eram simples quando suas preocupações se resumiam a qual Barbie escolher para brincar ou com que cor de vestido ir à festinha de aniversário de algum colega. Não concordava quando lhe diziam que a vida é simples e nós que a complicamos. Não, não era ela quem complicava a sua vida, eram os outros. O que ela na verdade queria era poder fazer as coisas serem mais fáceis.
Gostava das coisas simples. Gostava de deitar na grama e ver desenho nas nuvens. Gostava de se lambuzar com sorvete, de passar uma tarde falando besteiras, de chorar em um filme água com açúcar e de fechar os olhos em alguns momentos e apenas sentir. Sentir o vento, sentir o doce aroma da primavera, o som dos carros distantes e a paz em seu interior. Porém já não era mais capaz de dizer quando foi a última vez que fez todas essas coisas que lhe davam tanto prazer. Culpa dessa vida “moderna”. Não foi a garota quem escolheu. Trocaram por ela uma roda de amigos por amigos virtuais. Trocaram ver uma bela paisagem por uma televisão na sala. Trocaram o sabor puro das refeições por comida congelada. Trocaram as coisas simples da vida por uma vida mecânica.
Pensar em tudo o que ela poderia ter feito e não fez a corria por dentro. Chorava por todas as palavras que não disse, todas as alegrias que não viveu. Chorava por pensar que estava envelhecendo e que logo as coisas se tornariam ainda piores e mais rotineiras. Pensar em tudo isso lhe abatia e o travesseiro agüentava mudo as lágrimas que sobravam pra ele.
Por que não ensinam nas escolas que ninguém é perfeito? Assim seria mais fácil de aceitar os defeitos das pessoas e os nossos próprios. Por que não ensinam que o amor também fere? Por que só ensinam a força que a Terra exerce sobre cada um, mas não a força que o ódio exerce em cada um? Por que se aprende a calcular a intensidade de tantas coisas inúteis mas não a intensidade das palavras? Por que não se aprende desde cedo o quanto viver dói?
E naquela noite fria onde o travesseiro era o único cúmplice a garota chorou um choro amargo que ressecou sua pele e seu coração. E ela cresceu, mas as dores desse crescimento não diminuíram nem muito menos pararam com o tempo,ao contrário, apenas aumentaram, mesmo a garota - agora mulher - achando que já havia crescido o suficiente.
Era comum ver na televisão médicos explicando as dores musculares normais do crescimento. Mas por que ninguém falava da dor no músculo cardíaco? Por que ninguém dizia que era tão difícil deixar de ser criança?
Pensava em como as coisas eram simples quando suas preocupações se resumiam a qual Barbie escolher para brincar ou com que cor de vestido ir à festinha de aniversário de algum colega. Não concordava quando lhe diziam que a vida é simples e nós que a complicamos. Não, não era ela quem complicava a sua vida, eram os outros. O que ela na verdade queria era poder fazer as coisas serem mais fáceis.
Gostava das coisas simples. Gostava de deitar na grama e ver desenho nas nuvens. Gostava de se lambuzar com sorvete, de passar uma tarde falando besteiras, de chorar em um filme água com açúcar e de fechar os olhos em alguns momentos e apenas sentir. Sentir o vento, sentir o doce aroma da primavera, o som dos carros distantes e a paz em seu interior. Porém já não era mais capaz de dizer quando foi a última vez que fez todas essas coisas que lhe davam tanto prazer. Culpa dessa vida “moderna”. Não foi a garota quem escolheu. Trocaram por ela uma roda de amigos por amigos virtuais. Trocaram ver uma bela paisagem por uma televisão na sala. Trocaram o sabor puro das refeições por comida congelada. Trocaram as coisas simples da vida por uma vida mecânica.
Pensar em tudo o que ela poderia ter feito e não fez a corria por dentro. Chorava por todas as palavras que não disse, todas as alegrias que não viveu. Chorava por pensar que estava envelhecendo e que logo as coisas se tornariam ainda piores e mais rotineiras. Pensar em tudo isso lhe abatia e o travesseiro agüentava mudo as lágrimas que sobravam pra ele.
Por que não ensinam nas escolas que ninguém é perfeito? Assim seria mais fácil de aceitar os defeitos das pessoas e os nossos próprios. Por que não ensinam que o amor também fere? Por que só ensinam a força que a Terra exerce sobre cada um, mas não a força que o ódio exerce em cada um? Por que se aprende a calcular a intensidade de tantas coisas inúteis mas não a intensidade das palavras? Por que não se aprende desde cedo o quanto viver dói?
E naquela noite fria onde o travesseiro era o único cúmplice a garota chorou um choro amargo que ressecou sua pele e seu coração. E ela cresceu, mas as dores desse crescimento não diminuíram nem muito menos pararam com o tempo,ao contrário, apenas aumentaram, mesmo a garota - agora mulher - achando que já havia crescido o suficiente.



